Mercado global perde 880 milhões de barris de petróleo devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz
O mercado global de petróleo dificilmente se recuperará antes de 2027 caso o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado além de meados de junho. O CEO da [Saudi Aramco](https://www.aramco.com?utm_source=chatgpt.com), Amin Nasser, alertou investidores sobre o maior choque de oferta da história do mercado de energia, provocado por interrupções em larga escala no transporte marítimo comercial.
Antes do conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã, cerca de 20% dos embarques mundiais de petróleo passavam por essa estreita via navegável. Atualmente, o tráfego diário despencou de aproximadamente 70 embarcações para apenas 2 a 5. Mais de 600 petroleiros encontram-se parados no Golfo Pérsico. A ausência de um acordo, após o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitar as contrapropostas de Teerã, apenas agravou as tensões gerais.
Ao avaliar a magnitude da crise logística, Amin Nasser afirmou que, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto imediatamente, o mercado ainda precisaria de meses para restabelecer o equilíbrio. Segundo ele, caso a reabertura seja adiada por mais algumas semanas, a recuperação poderá se estender até 2027.
As perdas semanais decorrentes da paralisação do transporte são estimadas em 100 milhões de barris embarcados, enquanto o déficit líquido acumulado já alcançou 880 milhões de barris — mesmo após a ativação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e o uso das reservas estratégicas do governo.
Essa trajetória vem reduzindo rapidamente os estoques de gasolina e combustível de aviação às vésperas do pico da temporada de verão. Ao comentar as perspectivas para a retomada da logística, Amin Nasser acrescentou que, mesmo no cenário mais otimista, as cadeias de abastecimento de energia e commodities precisarão de vários meses para retornar aos níveis de tráfego anteriores à crise, à medida que os navios forem redirecionados ou retirados da inatividade.