Xi Jinping defende que o yuan se torne moeda de reserva global em meio à fraqueza do dólar
O presidente da China, Xi Jinping, publicou um artigo na revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, defendendo que o yuan se transforme em uma moeda de reserva global. Xi argumenta que a China precisa de uma “moeda forte”, amplamente utilizada no comércio internacional, nos investimentos, nos mercados cambiais e nas reservas internacionais. Embora essas declarações tenham sido feitas originalmente em 2024, durante um discurso a altos dirigentes regionais, o texto só veio a público em 31 de janeiro de 2026.
No artigo, Xi Jinping delineia os pilares necessários para fortalecer a posição internacional do yuan: um banco central robusto, capaz de conduzir a política monetária de forma eficaz; instituições financeiras globalmente competitivas; e centros financeiros internacionais aptos a “atrair capital global e influenciar a formação de preços no mundo”. Trata-se de um programa abrangente, que reflete a ambição da China de remodelar o sistema financeiro global de acordo com seus próprios interesses estratégicos.
O momento da publicação chama atenção, pois ocorre em meio a um ambiente de elevada incerteza nos mercados globais. A fraqueza recente do dólar, a iminente substituição do presidente do Federal Reserve, além das tensões geopolíticas e comerciais, vêm levando bancos centrais a reavaliar sua dependência de ativos denominados em dólar. Segundo Kevin Lamm, da Pantheon Macroeconomics, o foco especial de Xi no yuan reflete “novas fissuras na ordem mundial” e sugere que Pequim enxerga uma mudança na arquitetura financeira global como mais viável do que em qualquer outro momento recente.
Apesar disso, as ambições chinesas esbarram em restrições estruturais significativas. Dados do International Monetary Fund mostram que, até o terceiro trimestre de 2025, o yuan representava apenas 1,93% das reservas internacionais globais, ocupando a sexta posição entre as moedas de reserva. O dólar americano permanece dominante, com cerca de 57% de participação — embora abaixo do pico histórico de 71% registrado em 2000 —, enquanto o euro responde por aproximadamente 20%.
Avançar da posição atual para o status pleno de moeda de reserva internacional exigirá não apenas ambição política, mas reformas profundas, incluindo maior flexibilização dos controles de capital e uma abertura mais ampla dos mercados financeiros chineses.