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Donald Trump não demonstra preocupação com a forte queda do dólar americano nem com o fato de o ouro ter atingido US$ 5.300 por onça pela primeira vez na história. A estratégia de desvalorização está em pleno curso. A depreciação das principais moedas globais, liderada pelo dólar, somada à erosão da confiança nos títulos em meio ao aumento da dívida soberana, está forçando os investidores a buscar alternativas — e os metais preciosos surgem como os ativos mais atraentes.
Os estímulos fiscais nos EUA e no Japão, na forma de cortes de impostos, combinados com o risco de que a Suprema Corte possa declarar ilegais as tarifas dos EUA e gerar reembolsos, levantam sérias dúvidas sobre o alargamento dos déficits orçamentários, o crescimento da dívida pública e a instabilidade financeira. Os títulos estão deixando de cumprir o papel de ativos de refúgio. O capital migra para o ouro, e as posições em ETFs lastreados no metal crescem rapidamente.
Dinâmica das participações em ETFs de ouro
Além dos investidores de varejo, os bancos centrais seguem como compradores ativos. China, Polônia e outros países vêm adquirindo ouro físico como parte dos processos de desdolarização e diversificação de reservas.
O índice de incerteza da política econômica dos EUA atingiu um recorde histórico, enquanto a volatilidade dos metais preciosos alcançou o nível mais alto desde a pandemia. O primeiro fator alimenta a estratégia de desvalorização; o segundo direciona fluxos de capital para fora do mercado de criptomoedas. O Bitcoin está em território positivo, à medida que os investidores reavaliam a promessa de Trump de transformar os EUA na capital das criptomoedas. Antes tratado como politicamente neutro, o ativo passou a ser associado a decisões tomadas na Casa Branca e no Congresso, incluindo iniciativas legislativas.
A demanda por ouro cresce rapidamente em meio à reconfiguração do sistema de comércio internacional. As ameaças dos EUA contra antigos aliados estão dividindo o Ocidente e redirecionando a atenção para o Oriente. O Canadá avança em um acordo comercial com a China, apesar da ameaça de Trump de impor tarifas de 100% sobre as exportações canadenses para os EUA. A Europa, por sua vez, reorienta cadeias de abastecimento e firma acordos com a Índia.
Por mais que a incerteza em torno da política da Casa Branca persista, ela ainda não derrubou o dólar nem o privou de seu status de moeda de reserva. Anteriormente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que não há relação entre o preço do dólar e uma política de "dólar forte". Ele provavelmente está equivocado, uma visão que vem alimentando o interesse por compras de XAU/USD.
O Deutsche Bank avalia que o metal precioso pode atingir US$ 6.000 por onça, impulsionado pela forte demanda por investimentos.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, as cotações do ouro vêm se afastando do suporte dinâmico fornecido pelas médias móveis. Esse movimento sinaliza força altista e permite que eventuais correções sejam utilizadas para a construção de novas posições compradas, com alvos em US$ 5.400 e US$ 5.600 por onça, após o alcance dos níveis-alvo anteriores.